Nove meses atrás que comecei esse blog. Desde setembro do ano passado tantas coisas aconteceram, a maioria delas escrevi aqui, outras guardei pra mim. Nesse momento, olhando pela minha janela, observando a primavera cinza da Lorraine, me recordo de uma pessoa que chegou nesse quarto morta de cansaço, depois de uma viagem de quase 20 horas até a nova casa francesa. Me joguei na minha cama como quem se joga numa nova vida, sem medos, sem limitações, um novo universo me esperava.
A contar de hoje, me restam exatamente 40 dias como “fille au pair”. Se olhar pra trás e pensar em tudo que vivi, librianamente me posicionarei de forma neutra. Não posso dizer que vivi um mundo de sonhos e maravilhas, mas parafraseando o “rei” posso dizer que “O importante é que emoções eu vivi”. Isso parece bem piegas, mas é uma frase ótima pra ilustrar esse período da minha vida. Tive tempo de viver emoções, de gostar, de desgostar, de ter muita raiva, vontade de sumir, sentir muito amor, dar sem receber tanto e também vice-versa, resumidamente, me encontrar muito comigo mesma e ver o quanto também posso entender os outros entendendo a mim. Foi o ano de se atirar no desconhecido, ir seguindo sem saber muito bem o que iria acontecer no dia seguinte, confiar nas pessoas, confiar no mundo.
Não gosto de dizer que estou feliz por isso, ou triste por aquilo, mas posso afirmar que me traz uma certa paz ter a certeza de que não vim para a França fugindo do Brasil e nem vou voltar para o Brasil fugindo da França. Parece a hora perfeita de voltar. Durante o nosso duro inverno cheguei a pensar que seria melhor estar no Brasil, pois percebi que o inverno aqui é muito mais do que uma estação, é um estado de espírito. As pessoas se escondem, até eu mesma me escondi dentro dos meus casacos e toucas negros e ao passo que a primavera chega, todos vão recomeçando a comunicação com o mundo.
Tantas coisas morreram dentro de mim, tantas outras nasceram, foi um turbilhão. Conheci tanta gente especial,tanta gente que com um simples contato foram capazes de mudar algo dentro de mim, abrir a minha visão. Vou voltar para o Brasil com uma nova idéia sobre meu país, mas ao mesmo tempo desacostumada com tantas misérias e injustiças que já vi naquelas terras. Não que aqui não exista isso, mas em quantidade é realmente bem menor. Entretanto, o que fazer? Tenho certeza de que poderia ficar aqui e tentar esquecer de onde vim, mas se nasci em território brasileiro, mesmo com tantos antepassados europeus, é um sinal claro de que tenho coisas pra fazer por lá. Muita gente vem para Europa dizendo que aqui é bom por isso ou por aquilo, que é desenvolvido, mas se todos começarem a pensar assim e deixarem seus países pra vir pra cá, aí sim é que não vamos desenvolver nada.
Foram 9 meses longe de pessoas muito importantes para mim, até o fim serão 11. Porém, quem diz que a distância separa, está muito enganado, acho que ele pode nos aproximar ainda mais. Não gosto de criar expectativas, mas espero que o Brasil me receba com o mesmo entusiasmo que eu estou de reencontrá-lo.
Termino com uma música especial enviada por um amigo ainda mais especial. Uma pena não ter achado na versão original…




9 meses de gestação para uma nova shana . (se teve contrações ao longo do processo e dor de parto, elas não se comparam às alegrias tidas e as que tu vai ter)
agora que nasceu , VIVE!
SYm, pra provar que o que tu estás dizendo é a pura verdade, tive um domingo maravilhoso
E se a minha estadia aqui teve mais coisas legais do outras nem tanto, também foi por causa de ti, que me deixou tão belas lembranças!
des gross bisous ma poulette cherrie