Estão sentindo a presença de umas mosquinhas na área? Eu tô, por isso resolvi para de inventar desculpas e vir logo aqui publicar o meu textinho que já está pronto desde a semana passada. Desde lá muitas coisas aconteceram, mas são assuntos para outros posts. Só para não passar em branco, amanhã é aniver da Christelle, assim como fiz para a Sophia, mas ainda não contei aqui, vai rolar uma festinha de aniver na quarta-feira, me ocupei de tudo, desde ir comprar o que precisava até fazer o bolo e os convites, quis dar atenção especial para esse momento, pois além de estarmos nas últimas semanas juntas, a sua maman está viajando, então a responsa é grande! Postarei umas fotinhos da festa em breve.
Fiquem com o textinho que fiz na semana passada!
Alou alou marcianos
Aqui quem fala é da terra do caos. Muitas novidades nessa minha louca vida na França. Estou achando tudo tão incrível, é tão acentuado. Tem coisas tão lindas e outras que servem pra dar uma bela lição no meu ego, me deixarem muito atenta pra não sucumbir e entrar nas pirações que vagam em torno de mim.
Isso parece um tanto sem sentido, mas é uma forma subjetiva de contar sem relatar, um tipo de texto que eu preciso exercitar. Mas um parágrafo já basta, vou voltando para o meu amadorismo literário e preencher essas linhas de relatos das minhas últimas vivências, começando de trás pra frente. Ontem pela manhã a programação foi yoga na casa da Latifa. Quem é Latifa? Esse nome em árabe quer dizer “a doce”, e não é a toa. Aqui em Longwy, como já comentado, a presença árabe é muito forte, já se tornou normal pra mim ver as senhoras todas cobertas por aí, só deixando as mãos e o rosto aparecerem. Já estou ficando especialista em diferenciá-las, pois com o tempo vamos percebendo que elas pertencem a diferentes vertentes.
As com véu branco normalmente são as mais jovens ou as bem mais velhas, então são as solteiras ou viúvas. As de véu negro são as casadas. Tem também as que usam véu colorido/estampado, de uma forma um pouco mais descontraída, como um lenço na cabeça, estilo “estou fazendo faxina”. Essas eu acho que são turcas, enquanto as primeiras tenho quase certeza que são as que seguem mais “estreitamente” o islamismo, na sua maioria de origem algeriana ou marroquina.
Voltando à minha manhã de ontem, então fui “yogar” com a Latifa. Devo apresentá-la para vocês. Ela é mãe da Nour, da Tasmin e da Munah, três lindas menininhas que estudam na escola da Sophia e da Christelle. Sempre muito simpática comigo, sempre puxando um assunto, um dia resolveu me convidar para tomar um café na casa dela, com o argumento de que já havia vivido no exterior e que achava muito bom quando convidavam-na para uma visita. Aceitei com alegria e já fiquei fantasiando na minha cabeça como seria a casa dela, afinal eu nunca havia tido contato com alguém da religião muçulmana, achei que teria várias restrições, pois a Latifa, de todas as pessoas que eu já vi por aqui, digamos é a mais “reta” na forma de se vestir, ela usa uma espécie de hábito negro, parecido com o dos padres e um véu bem apertado na cabeça que desce solto até a cintura, geralmente preto ou cinza, aparecem realmente só o rosto e as mãos. Não sei o porquê, mas isso nunca me chocou, no começo achava diferente por ser novo, depois me acostumei, além disso, a Latifa tem um sorriso tão bonito, é tão acolhedora e como diz o seu próprio nome, tão doce no jeito de ser, que tudo isso sobressai os seus pesados véu e túnica negros. Já faz um tempo da minha primeira visita à casa dela, foi para um “goûter” depois da escola, é o lanche que as crianças fazem por volta das 17h. Foi muito interessante entrar no universo dessa família. Chegamos em casa e ela tirou toda aquela cobertura, revelou-se. Admito que foi uma surpresa vê-la assim, mas me senti honrada por ter sido convidada a entrar no que parecia algo tão restrito. Nesse dia nos conhecemos melhor, ela me contou um pouco da sua vida, suas viagens e aventuras. Mais um grande ensinamento pra mim, apesar de eu não ter julgado o seu jeito de ser, de se vestir, a minha projeção também não imaginava que alguém que vive uma vida religiosa de forma tão séria poderia ter vivido todas as experiências que ela me contou. Ela também adorou saber as coisas que contei do Brasil e naquele dia percebemos que tínhamos muito a conversar. Nosso segundo encontro se deu essa semana, saímos pra caminhar juntas e o terceiro foi esse yoga que fizemos ontem. Ela me mostrou vários exercícios, também mostrei os meus, estávamos um pouco desencontradas, algo normal para o começo de uma prática, entretanto no final, ela me convidou para fazermos uns pranayamas, exercícios de respiração, topei na hora. Embora eu precise muito, nunca tive a iniciativa de fazer pranayamas sozinha e com ela pratiquei muitos. Relaxamos ao som de uma música xamânica e tomamos um chá mate regado a muitos “causos” marroquinos e brasileiros. Esse país está me chamando cada vez mais, principalmente agora que já tenho duas anfitriãs. A Latifa me contou muito da sua religião, gostei de saber, realmente é muito limitado ver alguém vestido conforme as leis do Alcorão e pensar “olha como é radical, deve estar escondendo uma bomba”. Ela tem os seus motivos, faz porque acredita, não é obrigada, então, que seja feliz do jeito que quiser. Entretanto, o povo aqui se mostra bastante preconceituoso, já ouvi alguns relatos de gente dizendo “os árabes (eles generalizam) são legais, mas -chez eux- na casa deles”.
Entre os últimos acontecimentos, não posso deixar de citar a minha randonnee linda de viver do último finde. Mais uma vez de carona com o presidente do clube de cicloturistas de Longwy, o Bernard, fui até o “pays de gaume”, uma região da Bélgica que fica a uns 50km daqui. Chegamos lá cedinho e me inscrevi para os 50km de mtb entre as florestas da Gaume. Só alegria, percurso bem balançado entre o técnico e o contemplativo, ou seja, com trechos nos quais a atenção tinha que ser redobrada e outros que dava pra dar uma descansada. Apesar de ter dado uma baixa considerável nos treinos, eu estava muito em forma, conversei com muita gente no percurso, pela primeira vez fiz parte de um trajeto acompanhada. Um grupo de bikers puxou papo comigo na parada para alimentação, perguntou quantos kms eu ia fazer e acabamos pedalando um pouco juntos. Na chegada também compartilhamos momentos de confraternização clássica belga, ou seja, tomar muita ceva. Eu só tomei uma Kriek, tá bem…duas! Uma das que mais gosto porque tem gosto de cereja. Já combinamos uma nova pedalada pra esse sábado.
Para acabar esse texto que esteve dormindo aqui no meu note, um videozinho, pra variar, do Mr. Banhart, mas agora por um motivo especial…VOU NO SHOWWWWWW!!




ragazza mia!!! então tu conheceste a misteriosa e simpática vizinha árabe?! quando fui te visitar em abril, já tinha rolado o convite para o café e a tua expectativa era grande para enfim conhecê-la…
bom, estou com saudades e passear pelo blog te faz estar mais perto…
queria conversar contigo antes da tua grande aventura, vamos marcar um messenger meeting?
beijooo
Sim, ela é um amor!!! estou te esperando para o nosso meeting. baci mille cara mia