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…por onde andará…

Quase dois meses de Brésil, quase dois meses de sumiço no blog. Confesso que estou com frio na barriga de escrever aqui, pois isso me obriga a ver “como estão as coisas” a mistura de emoções é enorme, os olhos se viram pra trás, procurando refúgio numa fase da vida que já passou, me pego sonhando, planejando…mas a realidade me chama e chama com voz alta. Tive que ter uma conversa séria com a minha lista de pelo menos 8 pendências para “me dar ao luxo” de vir aqui e ver o que acontece com esse tal de blog.

São tantas coisas que eu nem sei por onde começar. Ainda na Europa eu me sentia terminando de fechar uma porta, virando uma página, vivendo os últimos dias de uma vida que eu desejei tanto que me transformou absurdamente, que me deixou tão cheia de recordações magníficas, que encheu me coração de tantas emoções, amor e novos amores, quase não consigo recordar quem eu era antes.

Vou começar então contando sobre meu último mês no velho mundo, o qual eu passei na Espanha. O primeiro destino rumo ao rico país espanhol foi a Catalunya, mais especificamente Barcelona. Que cidade incrível (esse comentário já está ficando batido!), não encontro outro adjetivo. É uma mistura de tudo, muita liberdade, muita gente de todas as cores. É uma espécie de caos ordenado. Tive uma impressão muito boa com relação a esse povo e até mesmo aos imigrantes que escolheram essa região como destino. Gente do bem, gente honesta, gente que se importa com o que foi combinado, com o respeito entre todos, com o espaço do outro. Pode ser que um dia eu mude completamente de ideia, mas até agora eles são como cavalheiros do rei Arthur. Digo eles, pois os catalães dos quais mais me aproximei foram rapazes que encontrei fora da Catalunya, coincidentemente, além de uma simpática “chica” com quem cruzei mais tarde. Em Barcelona fiz de tudo, é um lugar para todos os gostos e exigências, me apaixonei por essa cidade e espero voltar lá um dia, apesar de ter ficado lá uma semana não consegui ver tudo!…até me dá uma dor no coração, pois tenho tanto para contar, de tantas pessoas e lugares em particular, mas se eu fizer isso a minha lista de obrigações vai esperar de mais e a coisa vai ficar preta pro meu lado!!!

Saindo da Catalunya pegamos um avião rumo à Andalusia, onde conhecemos Málaga e Granada, duas cidades completamente diferentes do que já havia sido visitado na Espanha. Lá o sangue árabe começa a correr nas veias, a batida do flamenco embala o ritmo das descobertas e o sol arde na pele enquanto os touros negros nos observam plácidos do alto das colinas. (Ai quanta saudade!!!) No albergue em Málaga conhecemos um grupo muito louco de turistas do mundo inteiro, tinha até inglês falando português, americanos, australianos, chilenos, catalães, holandeses, italianos, argentinos…de tudo! Já na primeira noite todos se reuniram pra jogar um jogo proposto pelos americanos, cujo objetivo não era nada mais do que beber, os brasucas, o chileno companheiro e os catalães ficaram observando de longe a aventura dos companheiros e em seguida da jogatina alcoólica seguimos todos juntos pra uma balada andaluz, boas rizadas! No dia seguinte, mesmo após toda a festa nos unimos ao amigo chileno e aos dois catalanes lords simpáticos para visitar Torre Molinos.

Acabada a Estadia em Málaga, pegamos uma carona com os queridos catalanes e seguimos para Granada, onde o objetivo maior era conhecer a Alhambra. Sem comentários, que lugar fantástico, foi muito emocionante ver algo tão oriental, tão diferente da dobradinha virgem + menino Jesus. As fotos podem falar muito mais do que eu nessa hora! Saindo da Alhambra demos de cara com uma teteria, que parecia mais um portal para o Marrocos, um lugar inesquecível onde encontramos dois bolivianos que nos guiaram pela noite de Granada com muitos tapas, aperitivos e boas história para contar. Ah, sem esquecer nosso encontro com a simpática brasileira, que foi enviada pelo universo exclusivamente para atender as minhas preces sobre ver uma apresentação  de flamenco. Estávamos descendo o bairro árabe, Albaicin, onde eu divagava sobre o fato de estarmos na Andalusia e não termos visto flamenco. Nisso uma menina muito bonita se aproxima e nos convida pra conhecer uma casa onde havia muito boa comida e uma ótima apresentação de flamenco. Encarei como um sinal e decidimos ir ver que tal. Acabamos embarcando na aventura e descobrindo que nossa anfitriã era brasileira!! Passamos uma bela noite, finalizada pelo encontro já citado com os queridos bolivianos da teteria (casa de chás).

Terminada a viagem de descobertas na Andalusia e Catalunya, enfrentamos juntamente com nossas bikes uma longa jornada de autobus até Pamplona, na região da Navarra (mais uma vez como estar em outro país) para dar início à pedalada até Santiago de Compostela. Esse é um capítulo à parte, vivi coisas tão intensas, tão lindas…Embora eu não acredite que tenha a ver com o lugar em si, mas com a movimentação de quem passa por ali, de quem se propõe a viver esse caminho. Tantas pessoas ficam com a crença de que o caminho é mágico…certamente, não deixa de ser, mas não são as pedras, as árvores, os albergues, os povoados, as igrejas, mas sim as intenções de quem passa por ali. O caminho poderia ser no sertão nordestino que seria tão transformador quanto na Espanha. Vivi momentos de exaustão, de raiva, de amor, de troca infinita, de superação, de emoção…momentos nos quais um simples sorriso de alguém de um lugar desconhecido no mundo me fez desviar de um pensamento não tão positivo. Vontade de ajudar todo mundo a chegar no seu objetivo, de compartilhar tudo, mesmo que o que eu tivesse mal dava pra mim em alguns momentos…A peregrinação é uma irmandade em movimento, quase todos querem se conhecer, estão dispostos a ajudar a se doar, estão com os sentimentos à flor da pele, prontos para passar por todas as provações físicas e espirituais possíveis. Buen camino….é a frase que não saía das nossas bocas e ela é dita sempre com muito amor, carinho e sinceridade. Espero que todas as pessoas que eu vi nesse caminho estejam vivendo as suas mudanças e transformações intensamente, que todas as bolhas, dores e privações tenham valido a pena, tenho certeza que valeram.

Chega a ser um crime falar tão resumidamente sobre o Caminho, mas enfim…é o que temos agora, talvez eu volte a desenvolver esses tópicos com mais dedicação num futuro próximo! A chegada de Santiago já foi em tom de despedida. Longwy já estava ficando com cara de lembrança, voltando para o meu quarto no número 21 da avenue Foch, senti aquele cheio característico, o qual eu estava tão acostumada que já havia até esquecido. O mesmo cheiro que senti no primeiro dia de França, isso me fez voltar 11 meses no passado e me ver chegado lá, só que naquele momento estava fazendo as malas pra ir embora. Malas prontas, despedidas duras…muito choro, muita gratidão, muito amor vertendo no coração dos franceses e brasucas…ai ai ai…o clube de cicloturismo, os franceses e belgas amados que me adotaram como uma verdadeira filha! a minha família…os votos de sucesso na volta para o Brasil…tenho tanto a agradecer para todas essas pessoas, ao universo, por tudo que vivi, por todas as maravilhas que eles trouxeram pra minha vida.

Depois de uma viagem pouco confortável, muitas bagagens de um lado para o outro, conseguimos chegar ao aeroporto de Bruxelas para eu pegar meu vôo. Mal podia acreditar, estava mesmo voltando. Eu sentia o Brasil e tudo aqui me chamando, as pessoas, as oportunidades, tudo. Quase 24h de viagem, bagagens no carrinho e mama saltitando na área de desembarque. É…bem-vinda ao Brasil! A readaptação foi em ritmo ultra acelerado. Cheguei numa terça e na quarta já estava na faculdade, reuniões de trabalho, novos trabalhos, rever os amigos e a família, adrenalina na veia.

Isso tudo foi um grande resumo de tudo o que aconteceu e está acontecendo. Creio que estou no lugar certo na hora certa, mas as fronteiras estão se dissipando cada vez mais, o mochilão está a postos, pronto para uma nova aventura….India, Marrocos, África? Ainda não sei…só sei que uma passadinha na França e na Itália serão impressindíveis!
Não sei quando será a minha próxima aparição por aqui, mas deixo vocês, vou voltando para a minha realidade em Porto Alegre, para meus afazeres profissionais e acadêmicos…Fico à disposição para quem quiser dicas sobre intercâmbio como au pair, Caminho de Santiago, viagens para os países que conheci…Terei prazer em ajudar com qualquer dica.

Um grande grande abraço e muito obrigada a todos que me acompanharam no blog, foi muito importante, comemorei cada comentário e todos os acessos.
à bientôt!

Shana

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…Enfin Brésil…

Salut tout le mond!
Malas 98% prontas, e poucas horas pra pegar o avião em direção à casa. Casa? Durante esse ano o conceito de casa mudou bastante pra mim, acho que é simplesmente o lugar onde nos sentimos bem, não importa onde seja. Mas enfim, as reflexões mais profundas vão ficar pra outra hora, porque agora o tempo está realmente curto. Uma pequena aventura muito carregada de bagagens até o aeroporto de Bruxelas nos espera, acho que só vou realizar que estou realmente voltando pro Brasil quando estiver no avião Roma-SP. Antes desse ainda tem Bruxelas-Roma, antes desse ainda tem 3h de trem até Bruxelas…é….viajar também dá trabalho! Fico me perguntando o que vai ser desse espaço quando eu chegar no Brasil, até porque ele foi criado para abrigar as minhas aventuras no velho mundo, acho que de alguma forma ele vai continuar existindo, principalmente porque ainda tem muito o que contar sobre o meu último mês na Espanha, que foi lindo de viver, 760km pedalados, além de ter conhecido a Andalusia, a Catalunya…Aguardem! Creio que a minha chegada em Porto Alegre já vai ser bem agitada, principalmente carregadas de cadeiras na universidade, me matriculei em um monte de disciplinas, já vou matar duas aulas e um dia depois da chegada já vou dar as caras pelo centrão pra curtir uma aulinha de fotografia, ô coisa boa!
Gente, vou parando por aqui, nos vemos por aí, pelo Brasil, pelo mundo!
beijos grandes
Shana

Holla,  buen camino!!

Oi todo mundo, estamos aqui em um albergue de peregrinos em Viana, na regiao da Navarra. Tudo muito emocionante ate agora, poucos minutos para contar, mas vamos tentar resumir.
Saimos ontem de Pamplona, a chuva veio na noite anterior e lavou o caminho para trazer o barro para nosso desafio. Pedalamos ate Lorca, onde dormimos e de onde saimos hoje pela manha para virmos ate aqui, em Viana, tambem abaixo de uma chuvinha so pra dar mais emoçao. Ate entao 100km pedalados, aproximadamente, um clima muito bacana no caminho, gente muito simpatica e dos mais diversos lugares do mundo.
Quando der postamos mais novidades, agora vamos curtir a festa de San Fermin, em alguns minutos o touro vai estar solto na rua e o povo correndo enlouquecido.
muchos  besos e hasta luego.
Shana e Roger

Hasta luego

Olá povo! Ausência forte aqui, mas quem está em contato comigo sabe que as emoções estão tão grandes quanto o meu sumiço. Em breve estarei me despedindo oficialmente das meninas, que na verdade já estão de férias na casa dos avós há uma semana, e é pra lá que eu estou indo hoje pra passar mais um dia com elas e depois seguir para a minha aventura final na Espanha.

Além de explorar algumas cidades que vocês podem notar pelo mapa (programação que pode sofrer mudanças a qualquer momento!), a randonnée do século vai acontecer: farei aproximadamente 800km de bike de Pamplona até Santiago de Compostela, diga-se de passagem, muito bem acompanhada 😉

Queria agradecer a todos que comentaram aqui, que leram as minhas lamentações, alegrias, descobertas, revoltas, aventuras…muitas coisas que eu acabei dividindo e também pegando gosto de escrever, então a vocês, o meu MERCI BEAUCOUP. Creio que a minha próxima passagem por aqui será já em terras brasileiras, frio na barriga de voltar pra terrinha e reencontrar o meu povo amado, minha família e amigos, além de Pepi e Loli. 

Entretanto, um outro povo amado vai ficar pra trás por tempo indeterminado, ou seja, até que eu resolva voltar pra fazer uma visita, ou alguém decida se aventurar em terras brasileiras. A francesada tem fama de dura, mas muitos conquistaram o meu coração.  Ontem estava refletindo sobre isso, não é um fim, é um recomeço,  e todas essas experiências que vivi aqui estão impressas na nova pessoa que me tornei.

Todas essas pessoas queridas que conheci aqui, franceses, marroquinos, algerianos, italianos, portugueses, luxos, africanos, poloneses, alemães, canadenses, ingleses, húngaros, belgas, holandeses e até mesmo uns brasucas, agora fazem parte de mim de alguma forma, pois me ensinaram muitas coisas e contribuíram imensamente numa bagagem que vou carregar pro resto da vida.

Entonces, hasta luego amigos!!!
besitos

Rando VTT Mussy

Cheguei nessa randonnée muito confiante, pois no finde anterior tinha feito facilmente 50km, doce ilusão!
Me inscrevi para os 45km e chegando ao fim dos 16 já havia tido mais dificuldade do que em todos os 50 da semana passada. Terreno bem desafiador, técnico e principalmente, banhado de barro. Fiquei das 8h30min até as 13h na trilha, 47km de muitos desafios, paciência e exercício. Está claro que tenho que aprimorar a minha técnica, e muito, ter mais coragem de me jogar, mas se pensar na evolução que tive desde a primeira rando, já dá pra ficar bem contente. A Bélgica tem sido o berço do VTT (mountainbike) pra mim, cada vez que volto de lá me convenço que tenho que fazer algo para desenvolver essa prática no Brasil.

Aqui as fotos que o pessoal da organização tirou, estou lá no meio 🙂

As geminianas da vez

Dia 27 de maio foi aniver da Sophia, festinha com tudo que tem direito, fiquei muito feliz de ter proporcionado esse momento pra ela, fiquei lembrando do dia que ajudei a preparar a festa da Belle, minha afilhada, que em breve terei bem pertinho pra apertar e matar toda a saudade. Enfim, hoje foi o dia da Christelle, a excitação era grande!!!
Fiquem com as fotinhos,  me regalei clicando essas fofuras se maquiando e se fantasiando de princesa. Escutei tantos: Shanááááááááá, tu pode me colocar um lenço? poder arrumar meu cabelo? fica bonito assim?
Lindas pimpolhas que trouxeram muitas boas energias pra minha tarde, apesar da baderna!!!


Festa da Christelle – fotos


Aniver da Sophia – fotos

I just happen to be here

Estão sentindo a presença de umas mosquinhas na área? Eu tô, por isso resolvi para de inventar desculpas e vir logo aqui publicar o meu textinho que já está pronto desde a semana passada. Desde lá muitas coisas aconteceram, mas são assuntos para outros posts. Só para não passar em branco, amanhã é aniver da Christelle, assim como fiz para a Sophia, mas ainda não contei aqui, vai rolar uma festinha de aniver na quarta-feira, me ocupei de tudo, desde ir comprar o que precisava até fazer o bolo e os convites, quis dar atenção especial para esse momento, pois além de estarmos nas últimas semanas juntas, a sua maman está viajando, então a responsa é grande! Postarei umas fotinhos da festa em breve.

Fiquem com o textinho que fiz na semana passada!

Alou alou marcianos

Aqui quem fala é da terra do caos. Muitas novidades nessa minha louca vida na França. Estou achando tudo tão incrível, é tão acentuado. Tem coisas tão lindas e outras que servem pra dar uma bela lição no meu ego, me deixarem muito atenta pra não sucumbir e entrar nas pirações que vagam em torno de mim.
Isso parece um tanto sem sentido, mas é uma forma subjetiva de contar sem relatar, um tipo de texto que eu preciso exercitar. Mas um parágrafo já basta, vou voltando para o meu amadorismo literário e preencher essas linhas de relatos das minhas últimas vivências, começando de trás pra frente. Ontem pela manhã a programação foi yoga na casa da Latifa. Quem é Latifa? Esse nome em árabe quer dizer “a doce”, e não é a toa. Aqui em Longwy, como já comentado, a presença árabe é muito forte, já se tornou normal pra mim ver as senhoras todas cobertas por aí, só deixando as mãos e o rosto aparecerem. Já estou ficando especialista em diferenciá-las, pois com o tempo vamos percebendo que elas pertencem a diferentes vertentes.

As com véu branco normalmente são as mais jovens ou as bem mais velhas, então são as solteiras ou viúvas. As de véu negro são as casadas. Tem também as que usam véu colorido/estampado, de uma forma um pouco mais descontraída, como um lenço na cabeça, estilo “estou fazendo faxina”. Essas eu acho que são turcas, enquanto as primeiras tenho quase certeza que são as que seguem mais “estreitamente” o islamismo, na sua maioria de origem algeriana ou marroquina.

Voltando à minha manhã de ontem, então fui “yogar” com a Latifa. Devo apresentá-la para vocês. Ela é mãe da Nour, da Tasmin e da Munah, três lindas menininhas que estudam na escola da Sophia e da Christelle. Sempre muito simpática comigo, sempre puxando um assunto, um dia resolveu me convidar para tomar um café na casa dela, com o argumento de que já havia vivido no exterior e que achava muito bom quando convidavam-na para uma visita. Aceitei com alegria e já fiquei fantasiando na minha cabeça como seria a casa dela, afinal eu nunca havia tido contato com alguém da religião muçulmana, achei que teria várias restrições, pois a Latifa, de todas as pessoas que eu já vi por aqui, digamos é a mais “reta” na forma de se vestir, ela usa uma espécie de hábito negro, parecido com o dos padres e um véu bem apertado na cabeça que desce solto até a cintura, geralmente preto ou cinza, aparecem realmente só o rosto e as mãos. Não sei o porquê, mas isso nunca me chocou, no começo achava diferente por ser novo, depois me acostumei, além disso, a Latifa tem um sorriso tão bonito, é tão acolhedora e como diz o seu próprio nome, tão doce no jeito de ser, que tudo isso sobressai os seus pesados véu e túnica negros. Já faz um tempo da minha primeira visita à casa dela, foi para um “goûter” depois da escola, é o lanche que as crianças fazem por volta das 17h. Foi muito interessante entrar no universo dessa família. Chegamos em casa e ela tirou toda aquela cobertura, revelou-se. Admito que foi uma surpresa vê-la assim, mas me senti honrada por ter sido convidada a entrar no que parecia algo tão restrito. Nesse dia nos conhecemos melhor, ela me contou um pouco da sua vida, suas viagens e aventuras. Mais um grande ensinamento pra mim, apesar de eu não ter julgado o seu jeito de ser, de se vestir, a minha projeção também não imaginava que alguém que vive uma vida religiosa de forma tão séria poderia ter vivido todas as experiências que ela me contou. Ela também adorou saber as coisas que contei do Brasil e naquele dia percebemos que tínhamos muito a conversar. Nosso segundo encontro se deu essa semana, saímos pra caminhar juntas e o terceiro foi esse yoga que fizemos ontem. Ela me mostrou vários exercícios, também mostrei os meus, estávamos um pouco desencontradas, algo normal para o começo de uma prática, entretanto no final, ela me convidou para fazermos uns pranayamas, exercícios de respiração, topei na hora. Embora eu precise muito, nunca tive a iniciativa de fazer pranayamas sozinha e com ela pratiquei muitos. Relaxamos ao som de uma música xamânica e tomamos um chá mate regado a muitos “causos” marroquinos e brasileiros. Esse país está me chamando cada vez mais, principalmente agora que já tenho duas anfitriãs. A Latifa me contou muito da sua religião, gostei de saber, realmente é muito limitado ver alguém vestido conforme as leis do Alcorão e pensar “olha como é radical, deve estar escondendo uma bomba”. Ela tem os seus motivos, faz porque acredita, não é obrigada, então, que seja feliz do jeito que quiser. Entretanto, o povo aqui se mostra bastante preconceituoso, já ouvi alguns relatos de gente dizendo “os árabes (eles generalizam) são legais, mas -chez eux- na casa deles”.

Entre os últimos acontecimentos, não posso deixar de citar a minha randonnee linda de viver do último finde. Mais uma vez de carona com o presidente do clube de cicloturistas de Longwy, o Bernard, fui até o “pays de gaume”, uma região da Bélgica que fica a uns 50km daqui. Chegamos lá cedinho e me inscrevi para os 50km de mtb entre as florestas da Gaume. Só alegria, percurso bem balançado entre o técnico e o contemplativo, ou seja, com trechos nos quais a atenção tinha que ser redobrada e outros que dava pra dar uma descansada. Apesar de ter dado uma baixa considerável nos treinos, eu estava muito em forma, conversei com muita gente no percurso, pela primeira vez fiz parte de um trajeto acompanhada. Um grupo de bikers puxou papo comigo na parada para alimentação, perguntou quantos kms eu ia fazer e acabamos pedalando um pouco juntos. Na chegada também compartilhamos momentos de confraternização clássica belga, ou seja, tomar muita ceva. Eu só tomei uma Kriek, tá bem…duas! Uma das que mais gosto porque tem gosto de cereja. Já combinamos uma nova pedalada pra esse sábado.
 
Para acabar esse texto que esteve dormindo aqui no meu note, um videozinho, pra variar, do Mr. Banhart, mas agora por um motivo especial…VOU NO SHOWWWWWW!!